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Vídeos curtos do TikTok e do Instagram desligam parte do seu cérebro, e cientistas viram isso na ressonância

Estudo com ressonância magnética mostra que vídeos curtos favoritos reduzem a atividade das áreas do cérebro ligadas ao autocontrole, mesmo que só por alguns minutos.

Ilustração abstrata de um cérebro feito de partículas de luz azul se apagando enquanto um celular com vídeos curtos brilhantes drena sua energia, sobre uma placa de vidro com a palavra TIKTOK
Ilustração abstrata de um cérebro feito de partículas de luz azul se apagando enquanto um celular com vídeos curtos brilhantes drena sua energia, sobre uma placa de vidro com a palavra TIKTOK

Um estudo publicado na revista científica NeuroImage, conduzido por pesquisadores da Universidade de Zhejiang, na China, encontrou evidências de que vídeos curtos no estilo dos publicados no TikTok e no Instagram desligam temporariamente partes do cérebro ligadas ao autocontrole. Segundo o site RathBiotaClan, os cientistas usaram ressonância magnética funcional para observar a atividade cerebral de 56 jovens, com idade média de 23 anos, enquanto eles assistiam a clipes de poucos segundos dentro do aparelho de exame.

Cada participante viu dois blocos de seis minutos de vídeos sobre temas variados, como pessoas, animais de estimação, jogos e natureza, podendo pular qualquer clipe que não quisesse terminar. Vídeos assistidos até o fim foram classificados como “gostei”; os abandonados antes da metade entraram como “não gostei”. A diferença de reação do cérebro entre os dois grupos foi o que chamou atenção da equipe.

Quando um vídeo curto agradava o suficiente para ser assistido até o fim, duas regiões do cérebro relacionadas ao controle cognitivo, o córtex cingulado anterior dorsal e o córtex pré-frontal dorsolateral, mostravam uma queda significativa de atividade. São áreas envolvidas em tarefas como resistir a impulsos, planejar e avaliar uma decisão antes de agir. Nos vídeos rejeitados e interrompidos cedo, esse efeito praticamente não apareceu.

Os próprios autores fazem questão de evitar alarmismo. Eles descrevem o fenômeno como uma espécie de regulação automática do cérebro durante uma atividade passiva, que exige pouco esforço de decisão ou resolução de conflito, e não como sinal de dano permanente ou de perda de capacidade de autocontrole no longo prazo. Enquanto a pessoa assiste a um vídeo de que gosta, o cérebro entra num modo mais automático e de baixo esforço, parecido com o que acontece em outras atividades relaxantes do dia a dia.

Um detalhe que intrigou os pesquisadores é que essa queda de atividade variou de pessoa para pessoa, e parece estar ligada aos níveis de glutamato no cérebro de cada participante, um neurotransmissor associado à comunicação entre neurônios. Isso sugere que o efeito não é igual para todo mundo, e que características individuais podem tornar algumas pessoas mais suscetíveis a ficar horas rolando a tela sem perceber o tempo passando.

O estudo não testou o efeito de horas seguidas de uso nem comparou usuários pesados e leves das redes sociais, então não dá para tirar dele uma conclusão fechada sobre vício ou dano de longo prazo. Ainda assim, ele ajuda a explicar, com evidência de imagem cerebral, uma sensação que boa parte de quem usa TikTok ou Instagram já conhece: a de “acordar” depois de meia hora de rolagem sem lembrar direito o que viu. Para os pesquisadores, entender esse mecanismo é o primeiro passo para investigar se o uso repetido e prolongado desses aplicativos tem efeitos que vão além do momento em que o vídeo está passando na tela.

Fonte: RathBiotaClan

Perguntas frequentes

O estudo prova que TikTok e Instagram causam vício?

Não. Os próprios pesquisadores descrevem o efeito como uma resposta temporária e adaptativa do cérebro durante uma atividade passiva, e não como evidência de dano permanente ou vício. O estudo também não testou o uso prolongado por horas.

Quais apps foram associados ao efeito?

O levantamento cita vídeos no estilo dos publicados no TikTok e no Instagram, focando no formato curto e recomendado automaticamente, não em um aplicativo específico testado isoladamente.

Publicado em 21 de agosto de 2026
GR
Gabriel Rojas
Editor-chefe · Jornalista (MTb) · 10+ anos cobrindo tecnologia

Jornalista de tecnologia há mais de 10 anos, cobriu de startups a grandes lançamentos do Vale do Silício. No ZUTI, lidera a cobertura de IA e espaço.

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