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Meta vai a julgamento acusada de viciar crianças no Instagram, e a conta pode chegar a 1,4 trilhão de dólares

Um tribunal federal nos EUA começa a julgar a Meta por acusação de 29 estados de que a empresa projetou Instagram e Facebook para viciar menores de idade, com indenização que pode passar de 1 trilhão de dólares.

Ilustração escura com um smartphone exibindo o ícone do Instagram sendo pressionado por uma balança de tribunal, com a palavra META em letras brancas
Ilustração escura com um smartphone exibindo o ícone do Instagram sendo pressionado por uma balança de tribunal, com a palavra META em letras brancas

A Meta entrou nesta semana num dos maiores processos judiciais da sua história. Um tribunal federal nos Estados Unidos começou a julgar acusações movidas por 29 estados americanos de que a empresa projetou Instagram e Facebook para viciar crianças e adolescentes, além de coletar dados de menores de idade em violação a leis de privacidade. Segundo a BBC, o caso pode resultar em uma das maiores reformulações já exigidas das duas redes sociais.

O argumento central da acusação é que recursos como contagem pública de curtidas, rolagem infinita sem ponto de parada natural, filtros que alteram a aparência do rosto, reprodução automática de vídeos e publicações temporárias como os Stories não são só ferramentas de engajamento comuns. Para os estados, foram construídos deliberadamente para manter jovens grudados na tela pelo maior tempo possível, mesmo sabendo do custo para a saúde mental deles. Se a Justiça concordar, a Meta pode ser forçada a desligar ou modificar esses recursos para contas de usuários entre 13 e 17 anos, e também a mudar como o algoritmo recomenda conteúdo para esse público.

O número que chama atenção é o valor em jogo: até 1,4 trilhão de dólares em indenizações, segundo o teto calculado pela própria acusação. É uma cifra praticamente abstrata, do tamanho do PIB de um país de porte médio, e mostra a escala que o processo pode assumir caso os estados vençam em todos os pontos. Não é o valor que efetivamente será pago, é o limite superior do que está sendo pedido, e a diferença entre pedir e conseguir costuma ser grande nesse tipo de disputa.

Por trás dos números está uma preocupação que já não é nova: o efeito das redes sociais sobre a saúde mental de adolescentes. Pesquisas ligam uso intenso de Instagram e Facebook a piora de ansiedade, distúrbios de imagem corporal e problemas de sono em jovens, e documentos internos da própria Meta, revelados em processos anteriores, mostraram que a empresa tinha conhecimento desses riscos. O que muda agora é a tentativa de transformar essa discussão em obrigação legal concreta, com prazo e multa, em vez de deixar como debate público sem consequência prática.

A Meta nega ter desenhado suas plataformas para causar dano e argumenta que já investiu em controles parentais, verificação de idade e limites de uso para contas de adolescentes nos últimos anos. A empresa também questiona se pode ser responsabilizada por decisões que, segundo ela, cabem às famílias tomar. O julgamento deve se estender por semanas, com executivos da companhia previstos para depor.

Quem tem filhos adolescentes com Instagram ou Facebook fica de olho principalmente no resultado prático: quais recursos podem sumir ou mudar de comportamento nas próximas versões do aplicativo, caso a Justiça dê ganho de causa aos estados. Já para o mercado, o caso serve de termômetro para saber até onde reguladores e tribunais americanos estão dispostos a ir contra o modelo de negócio das redes sociais, algo que pode influenciar processos parecidos contra TikTok e outras plataformas que ainda estão em andamento.

Fonte: BBC

Perguntas frequentes

O que a Meta é acusada de fazer?

Os 29 estados alegam que a Meta desenhou Instagram e Facebook de propósito para prender a atenção de crianças e adolescentes, escondendo os riscos disso, e que coletou dados de menores de forma ilegal.

O julgamento já decide o valor da indenização?

Não necessariamente. O processo começa agora e pode se estender por semanas; 1,4 trilhão de dólares é o teto que a própria acusação diz ser possível, não um valor já definido.

Publicado em 18 de agosto de 2026
GR
Gabriel Rojas
Editor-chefe · Jornalista (MTb) · 10+ anos cobrindo tecnologia

Jornalista de tecnologia há mais de 10 anos, cobriu de startups a grandes lançamentos do Vale do Silício. No ZUTI, lidera a cobertura de IA e espaço.

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