Estudo mostra que os apps da Meta coletam mais que o triplo de dados dos seus concorrentes
Levantamento com 171 aplicativos de cinco grandes empresas de tecnologia mostra que os apps da Meta declaram coletar até 25 dos 35 tipos de dados analisados, muito acima de Google, Amazon, Microsoft e Apple.
Quantos tipos diferentes de informação um aplicativo consegue coletar sobre você só de estar instalado no seu celular? Um levantamento recente comparou 171 apps para iPhone de cinco grandes empresas de tecnologia e chegou a um resultado que reforça uma suspeita antiga: os aplicativos da Meta, dona do Facebook, Instagram e WhatsApp, declaram coletar muito mais dados do que os concorrentes. Segundo o site especializado The Register, que teve acesso à pesquisa, os apps da empresa registram até 25 dos 35 tipos de dados analisados no estudo, mais do triplo do que Apple e Microsoft admitem coletar em seus próprios aplicativos.
A pesquisa não inventou os números: ela organizou informações que os próprios desenvolvedores já são obrigados a declarar publicamente na App Store, na seção conhecida como “etiqueta de privacidade”. Ali, cada empresa lista quais categorias de dados seu aplicativo pode coletar, de localização precisa a histórico de navegação, passando por informações do aparelho e identificadores usados para rastrear o comportamento do usuário entre diferentes serviços. Ao juntar essas etiquetas de 171 apps de Meta, Google, Amazon, Microsoft e Apple, o levantamento pôde comparar lado a lado quem coleta o quê.
O resultado deixa a Meta isolada na ponta mais agressiva da tabela. Enquanto os aplicativos da empresa declaram, em média, 25 dos 35 tipos de dados possíveis, o Google aparece em segundo lugar com 17, seguido pela Amazon com 12. Microsoft e Apple ficam bem mais abaixo, com 8 e 7 tipos, respectivamente. Entre as categorias mais coletadas pela Meta estão informações do dispositivo, localização precisa e histórico de navegação, dados que costumam alimentar perfis de comportamento e sistemas de publicidade direcionada.
Vale entender os limites do que o estudo mede de fato. Os números vêm de declarações que os próprios desenvolvedores preenchem ao publicar um app na App Store, não de uma auditoria técnica independente sobre o tráfego real de dados. O levantamento mostra o que cada empresa admite coletar, não necessariamente tudo o que é coletado na prática nem com que frequência. Mesmo assim, declarar acesso a tantas categorias já diz algo sobre o apetite de cada empresa por dados do usuário. A Meta, aliás, já foi alvo de processos e multas em diversos países por práticas de coleta consideradas invasivas.
A seção de privacidade de qualquer app está disponível antes mesmo de baixá-lo, na própria página da App Store, e vale conferir o que está sendo declarado antes de instalar. Ajustar permissões de localização, evitar vincular contas entre serviços diferentes e revisar de vez em quando quais apps têm acesso a quê são passos simples. Não eliminam o apetite por dados do outro lado, mas reduzem o quanto dele sobra pra você.
Fonte: The Register
Perguntas frequentes
Isso significa que meus dados estão sendo vendidos ou vazados?
Não necessariamente. O estudo mede quantos tipos de dados cada app declara coletar, como localização precisa ou histórico de navegação, não como esses dados são usados. Coletar mais categorias amplia o risco de exposição, mas não é, por si só, prova de venda ou vazamento.
Como sei quais dados um app coleta antes de instalar?
Na App Store da Apple, cada aplicativo tem uma seção chamada 'Privacidade do App' que lista as categorias de dados declaradas pelo desenvolvedor. É a mesma fonte usada no levantamento, e vale conferir antes de instalar qualquer app que peça muitas permissões.
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