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Samsung proíbe apps de smart TV que compartilhavam sua internet com desconhecidos, e um Pac-Man estava no meio disso

A Samsung vai banir de suas smart TVs aplicativos com código oculto de proxy residencial, capaz de rotear tráfego de estranhos pela internet da casa do usuário. Um dos apps flagrados era um joguinho de Pac-Man que a própria empresa recomendava.

Uma smart TV com finos filamentos de luz azul vazando da tela em direção a silhuetas escuras, com a palavra SAMSUNG em letras brancas na moldura
Uma smart TV com finos filamentos de luz azul vazando da tela em direção a silhuetas escuras, com a palavra SAMSUNG em letras brancas na moldura

Um simples joguinho de Pac-Man na loja de aplicativos da Samsung escondia bem mais do que labirintos e fantasmas. Segundo o site TechCrunch, o app continha um código capaz de transformar a smart TV do usuário em um intermediário para o tráfego de internet de completos estranhos, sem que isso ficasse claro para quem instalou o joguinho. A ironia é que a própria Samsung havia destacado esse mesmo aplicativo na seção “Escolha dos Editores” de sua loja, uma espécie de selo de recomendação da fabricante.

O mecanismo por trás disso tem nome: proxy residencial. Na prática, empresas que coletam dados na internet, ou que precisam disfarçar de onde vem uma requisição, pagam para que o tráfego delas passe pela conexão de internet de outras pessoas antes de chegar ao destino final. Do lado de quem recebe o pedido, tudo parece ter saído de uma casa comum, e não de um servidor identificável. É um modelo de negócio real e, em alguns casos, legal, mas que também vira ferramenta favorita de quem faz raspagem de dados em massa ou ataques a outros sites, já que esconde a origem verdadeira do golpe atrás do IP de alguém inocente.

No caso identificado pela reportagem, o código veio da Bright Data, empresa israelense que vende acesso a milhões dessas conexões residenciais ao redor do mundo, e chegou à TV por meio de um app da desenvolvedora PlayWorks Digital. O funcionamento era discreto: o proxy ficava inativo até a pessoa aceitar uma tela de permissão dentro do próprio app, e só depois disso passava a compartilhar a internet da casa em segundo plano, inclusive quando o aplicativo já não estava mais aberto na tela.

A Samsung reagiu dizendo que já restringiu novos cadastros de aplicativos com esse tipo de funcionalidade em sua plataforma de smart TVs e que vai aplicar uma política mais rígida para remover os apps existentes que ainda contenham esse código. Não é a primeira fabricante a tomar essa atitude: a LG havia anunciado medida parecida cerca de um mês antes, depois de descobrir que quase metade dos aplicativos de sua própria loja, algo perto de 42%, carregava algum software de proxy escondido.

O episódio expõe um ponto que costuma passar batido quando o assunto é smart TV: o aparelho que fica ligado na tomada o dia inteiro, com conexão de internet estável, é justamente o tipo de dispositivo mais cobiçado para esse tipo de esquema. Diferente de um celular, que a pessoa carrega e desliga, a TV da sala vira um “nó de saída” praticamente permanente, sem que o dono perceba qualquer sinal visível de que algo estranho está acontecendo. A conta de internet continua a mesma, a velocidade não cai de forma óbvia, e o tráfego alheio simplesmente se mistura ao uso normal da casa.

Para quem tem uma smart TV Samsung ou de qualquer outra marca, a lição prática é desconfiar de aplicativos pouco conhecidos, mesmo quando vêm com algum selo de destaque da própria loja, e prestar atenção às telas de permissão antes de aceitar qualquer coisa às pressas só para começar a jogar ou assistir. O caso do Pac-Man mostra que nem o rótulo de “recomendado pela fabricante” é garantia de que não existe algo escondido do outro lado da tela.

Fonte: TechCrunch

Perguntas frequentes

O que é um 'proxy residencial' e por que isso é um problema?

É um esquema em que o tráfego de internet de outra pessoa passa pela sua conexão doméstica antes de chegar ao destino final, fazendo os pedidos parecerem originados na sua casa. Empresas de coleta de dados pagam por esse acesso, mas isso também deixa a conexão vulnerável a ser usada por golpistas, já que atividades ilícitas de terceiros passam a sair do seu IP.

Minha smart TV Samsung está em risco?

A Samsung diz já ter restringido o cadastro de novos aplicativos com esse tipo de código e afirma que vai remover os apps existentes que o contenham. Vale desconfiar de apps pouco conhecidos na loja da TV e revisar, quando possível, as permissões concedidas a cada um.

Publicado em 4 de agosto de 2026
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Rafael Tanaka
Editor de Hardware & Labs · Engenheiro · 8 anos em análise de hardware

Testa GPUs, smartphones e gadgets no ZUTI Labs. Ex-engenheiro, gosta de benchmarks reais e de desmontar o marketing das fabricantes.

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