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Venda de PCs despenca 22% no mundo: a memória ficou tão cara que o computador barato sumiu

A Gartner contou 55,4 milhões de PCs vendidos no terceiro trimestre de 2026, queda de 22,4%, com preços empurrados pela memória.

Fileira de notebooks diminuindo de tamanho sob um chip de memória brilhante com a sigla PC.
Fileira de notebooks diminuindo de tamanho sob um chip de memória brilhante com a sigla PC.

O mercado de computadores teve um dos piores trimestres dos últimos anos. Segundo a consultoria Gartner, o mundo todo comprou 55,4 milhões de PCs entre julho e setembro de 2026, 22,4% a menos que no mesmo período de 2025, quando foram 71,3 milhões. Os números são preliminares, divulgados em 12 de outubro. O volume voltou ao patamar do início de 2023.

O motivo não é falta de vontade de comprar. É que o computador ficou mais caro. Memória e armazenamento, as peças que guardam o que o aparelho está usando e os seus arquivos, encareceram muito. A própria Gartner estima que o custo da memória DRAM, a usada como RAM, subiu cerca de cinco vezes em um ano no segundo trimestre. Os fabricantes não seguraram essa conta e a passaram adiante, nas etiquetas.

Há um segundo efeito, menos visível. Com peças escassas, as marcas passaram a dar preferência às configurações mais caras, que rendem mais por unidade. O resultado é que os modelos de entrada, aqueles que sustentam a faixa de quem troca de computador a cada cinco ou seis anos, ficaram mais raros. Quem queria apenas um notebook simples para estudar ou trabalhar encontra menos opções e paga mais por elas. Para as empresas, a Gartner diz que o dinheiro foi para compras pontuais, como estações de trabalho e PCs com recursos de IA, em vez de renovar a frota inteira.

“O impacto do aumento dos custos de memória e armazenamento já está totalmente refletido nos preços dos PCs”, afirmou Namrata Banerjee, diretora de pesquisa da Gartner. Ela faz questão de separar este momento do de 2023, quando a queda veio de estoques encalhados. Agora a história é outra: preço alto e peça racionada.

Entre as marcas, ninguém escapou. A Lenovo continua na liderança, com 14,99 milhões de aparelhos e queda de 22,4%, igual à do mercado. A HP sofreu mais: despencou 30,9%, para 10,37 milhões, e a Gartner liga isso ao peso que o consumidor sensível a preço tem no negócio da empresa. A Dell caiu 25,4%, para 7,58 milhões. Na outra ponta, a Apple foi a que menos perdeu entre as seis maiores, 7,1%, e ganhou 1,7 ponto percentual de participação, indo a 10,5%. Asus (queda de 13%) e Acer (11,2%) também ganharam fatia, porque encolheram menos que as rivais maiores.

Para quem está pensando em trocar de computador, a leitura prática é incômoda. Não existe sinal de que os preços vão recuar sozinhos no curto prazo, já que o problema está nas peças e não em estoque que precisa ser liquidado. Se o seu PC atual ainda dá conta, esperar pode ser razoável; se a troca é inevitável, vale comparar configurações com calma, porque a diferença de preço entre uma e outra anda maior do que costumava ser.

Uma ressalva: outra consultoria, a IDC, contou um número menor de aparelhos e uma queda de 20,1%, atribuindo parte do tombo a compras antecipadas feitas nos meses anteriores. As duas concordam no essencial: a HP foi a que mais caiu, a Lenovo segue na frente e o mercado encolheu muito. O que vale acompanhar agora é se a memória barateia. Enquanto isso não acontecer, o PC barato continua sendo o produto mais difícil de achar.

Fonte: Gartner

Perguntas frequentes

Por que os PCs estão mais caros em 2026?

Segundo a Gartner, memória e armazenamento ficaram bem mais caros, e os fabricantes repassaram esse custo ao consumidor e passaram a priorizar configurações mais caras.

Isso é igual à queda de 2023?

Não. Em 2023 o problema era estoque sobrando. Agora, diz a Gartner, o motivo é preço alto e escassez de componentes.

Publicado em 16 de outubro de 2026
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Rafael Tanaka
Editor de Hardware & Labs · Engenheiro · 8 anos em análise de hardware

Testa GPUs, smartphones e gadgets no ZUTI Labs. Ex-engenheiro, gosta de benchmarks reais e de desmontar o marketing das fabricantes.

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