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IBM derrete 24% na bolsa: a pior queda em 115 anos, e a culpa é da febre da IA

Gigante centenária da tecnologia perde um quarto do valor em um dia; CEO culpa a corrida por data centers de IA.

Monólito escuro com as letras IBM rachando na base, cortado por uma seta vermelha de queda
Monólito escuro com as letras IBM rachando na base, cortado por uma seta vermelha de queda

A queda foi tão brusca que virou marco histórico no mesmo dia. As ações da IBM despencaram 24% em um único pregão, e a empresa, fundada há 115 anos, nunca tinha passado por nada parecido. Um quarto do valor de mercado de uma das companhias mais tradicionais do planeta evaporou entre a abertura e o fechamento da bolsa. A informação é da CNN.

A explicação veio do próprio CEO, Arvind Krishna, e ela diz muito sobre o momento da tecnologia. Segundo ele, os clientes corporativos da IBM vêm redirecionando seus orçamentos nos últimos meses para uma prioridade só: comprar servidores, armazenamento e memória para data centers de inteligência artificial. Quando o dinheiro corre todo para lá, sobra menos para o resto do catálogo — incluindo os mainframes, que sustentam o negócio da IBM há décadas.

Se você nunca ouviu falar em mainframe, provavelmente já usou um sem saber. São computadores de grande porte, do tamanho de armários, que processam volumes gigantescos de transações — o tipo de máquina que costuma rodar nos bastidores de bancos e grandes corporações. É um mercado que a IBM domina há gerações. O problema é que ele depende de empresas dispostas a seguir investindo nessas máquinas. E, pelo visto, a fila do orçamento mudou de lugar.

Tem uma ironia difícil de ignorar aqui. A IBM atravessou mais de um século de viradas tecnológicas e ajudou a construir várias delas. Agora, a onda mais badalada da história recente não derrubou a empresa por torná-la obsoleta, mas por algo mais prosaico: drenou o dinheiro dos clientes para outra prateleira. Empresas centenárias como essa costumam guardar fatos curiosos que ajudam a entender como sobreviveram a tantas ondas de tecnologia até tropeçar justamente na da IA.

É isso que faz o caso importar para quem nunca comprou uma ação na vida. A corrida da IA costuma aparecer no noticiário pelo lado dos vencedores, com fabricantes de chips batendo recordes e data centers brotando pelo mundo. O tombo da IBM mostra o outro lado do balcão. Cada bilhão que uma empresa gasta em infraestrutura de IA é um bilhão que deixa de ir para software de gestão, para renovação de mainframes, para o resto da tecnologia que mantém o dia a dia funcionando. A conta fecha em algum lugar, e dessa vez fechou em cima de uma centenária.

Vale a honestidade: um pregão, por pior que seja, não decreta o destino de uma empresa desse tamanho. A IBM segue com contratos enormes e uma base de clientes que não se desmonta em um dia. A pergunta real é se o desvio de orçamento é uma fase da febre da IA ou uma mudança permanente na forma como as empresas gastam com tecnologia.

Nos próximos meses, dois sinais vão responder isso. O primeiro: os balanços das outras gigantes de TI tradicional, que devem mostrar se o aperto é geral ou um problema específico da IBM. O segundo: o ritmo de construção de data centers de IA, que até aqui só acelera. Se a segunda curva não desacelerar, a primeira tende a piorar.

Fonte: CNN

Perguntas frequentes

Por que as ações da IBM caíram tanto?

Segundo o CEO da empresa, os clientes corporativos estão redirecionando seus orçamentos de tecnologia para comprar servidores, armazenamento e memória para data centers de inteligência artificial — e sobra menos para os produtos tradicionais da IBM, como os mainframes.

Isso significa que a IBM vai mal por causa da IA?

Indiretamente, sim. A demanda por infraestrutura de IA está tão intensa que suga investimentos de outras áreas de tecnologia. Empresas cujo catálogo não está no centro dessa corrida sentem o impacto no caixa e, agora, na bolsa.

Publicado em 16 de julho de 2026
GR
Gabriel Rojas
Editor-chefe · Jornalista (MTb) · 10+ anos cobrindo tecnologia

Jornalista de tecnologia há mais de 10 anos, cobriu de startups a grandes lançamentos do Vale do Silício. No ZUTI, lidera a cobertura de IA e espaço.

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