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Celulares Android baratos saem da fábrica com vírus instalado e usam a sua internet para esconder criminosos

A campanha Midnight Mimosa infectou milhares de aparelhos em mais de 150 países, inclusive no Brasil, com malware embutido no sistema do celular.

Celular dentro de uma caixa transparente com fios vermelhos de dados saindo pela parte de trás e a palavra Android na tela
Celular dentro de uma caixa transparente com fios vermelhos de dados saindo pela parte de trás e a palavra Android na tela

Imagine comprar um celular barato, tirar da caixa e descobrir que ele já trabalha para outra pessoa. É isso que a campanha batizada de Midnight Mimosa faz. Segundo o BleepingComputer, aparelhos Android de baixo custo chegam aos consumidores com malware instalado de fábrica, em milhares de unidades espalhadas por mais de 150 países, o Brasil entre eles.

O detalhe que torna o caso desagradável é o lugar onde o vírus mora. Ele não é um aplicativo baixado por engano: está embutido no firmware, o programa básico que faz o celular funcionar, instalado antes de o aparelho sair da fábrica. Isso significa que o usuário não clicou em nada suspeito e não tem como remover o problema só apagando apps.

A partir daí, o malware consegue instalar outros aplicativos maliciosos por conta própria. O uso mais lucrativo parece ser transformar o celular em proxy residencial. Na prática, a conexão de internet da sua casa passa a servir de ponte para o tráfego de terceiros. Quem está do outro lado enxerga o seu endereço de internet, não o dele, e usa isso para ocultar o que faz, o que pode incluir atividade ilegal.

Entre os modelos identificados estão o Doogee S200 X e o Cubot KINGKONG X. O dono do aparelho paga pelo aparelho, paga pela internet e, sem saber, empresta os dois para o esquema.

O que ainda ninguém sabe é quem está por trás. Segundo o BleepingComputer, não está claro em que etapa da produção ou da distribuição o malware é inserido, nem quem é o responsável. Pode ter sido na fábrica do aparelho, num fornecedor do software ou num ponto da cadeia de revenda. Sem essa resposta, é difícil dizer quais outros modelos e marcas podem estar contaminados.

Quem corre mais risco é quem compra aparelhos de marcas pouco conhecidas, principalmente em lojas online e a preços muito abaixo do mercado. O preço baixo costuma ter um motivo, e às vezes ele é a venda silenciosa da sua conexão. Esse tipo de golpe aproveita justamente o desejo legítimo de economizar.

Isso não quer dizer que todo celular barato esteja infectado. Mas o caso mostra um limite incômodo: antivírus e boas práticas ajudam pouco quando o problema vem junto com o sistema.

O que fazer? Desconfie de modelos desconhecidos com preço fora da curva, prefira marcas com assistência técnica no país e, se já tem um aparelho dos modelos citados, observe sinais como lentidão sem explicação, consumo estranho de dados e aplicativos que você não instalou. Se algo parecer fora do normal, o mais seguro costuma ser parar de usar o aparelho para tarefas sensíveis, como banco e senhas.

Vale ficar atento aos próximos relatos. Se os pesquisadores descobrirem em que ponto da cadeia o vírus entra, será possível apontar culpados e, quem sabe, listar com mais precisão quais aparelhos evitar.

Fonte: BleepingComputer

Perguntas frequentes

O que é um proxy residencial?

É um aparelho comum, de uma casa, usado como ponte para passar o tráfego de outras pessoas. Quem está do outro lado enxerga a conexão do dono do celular, não a sua.

Dá para tirar o malware?

Como ele fica no firmware, o sistema do aparelho, apagar apps não resolve. Prevenir, evitando marcas desconhecidas e cópias de modelos famosos, é o caminho mais seguro.

Publicado em 9 de outubro de 2026
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Rafael Tanaka
Editor de Hardware & Labs · Engenheiro · 8 anos em análise de hardware

Testa GPUs, smartphones e gadgets no ZUTI Labs. Ex-engenheiro, gosta de benchmarks reais e de desmontar o marketing das fabricantes.

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