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Nvidia perde o título de empresa mais valiosa do mundo para a Apple, e o medo de bolha na IA trava a bolsa da Coreia do Sul

Um dia de pânico nas bolsas asiáticas derrubou Samsung, SK Hynix e Nvidia, e tirou da fabricante de chips o posto que ocupava havia meses: o de empresa mais valiosa do planeta.

Na terça-feira, 28 de julho, o mercado financeiro mundial teve um daqueles dias em que todo mundo lembra onde estava. Segundo a CNBC, o índice Kospi, da bolsa da Coreia do Sul, despencou 10,84% e fechou aos 6.023,66 pontos, a quarta maior queda diária da história do índice. A queda foi tão brusca que acionou um circuit breaker, mecanismo que trava temporariamente as negociações para evitar pânico generalizado, o oitavo desse tipo só em 2026.

As fabricantes de chips de memória levaram o pior tombo. A Samsung Electronics caiu 13,4% e a SK Hynix, fornecedora crucial de memórias usadas em treinamento de inteligência artificial, recuou quase 15%. Nos Estados Unidos, o contágio chegou até a Nvidia, que caiu praticamente 5% e fechou a US$ 196,51 por ação, um tombo que apagou cerca de US$ 250 bilhões do seu valor de mercado em um único pregão.

A queda teve um efeito simbólico forte: a Nvidia, avaliada em cerca de US$ 4,77 trilhões, perdeu o posto de empresa de capital aberto mais valiosa do mundo para a Apple, que fechou o dia anterior na liderança e chegou aos US$ 5 trilhões em valor de mercado. Era a Nvidia quem ocupava esse lugar havia meses, sustentada pela fome de GPUs para treinar modelos de IA. Ver a coroa trocar de dono num único dia mostra como esse mercado ainda balança fácil.

O gatilho por trás de tudo isso é uma desconfiança que vinha se acumulando havia semanas: o chamado “financiamento circular” da IA. É quando uma empresa como a Nvidia investe bilhões numa parceira como a OpenAI, que usa boa parte desse dinheiro para comprar GPUs da própria Nvidia. O acordo entre as duas, de US$ 250 bilhões, virou alvo de investidores que temem estar vendo números de receita inflados por dinheiro que circula entre as mesmas poucas empresas, sem gerar valor novo de verdade. Some a isso os avanços da chinesa CXMT em equipamentos de litografia DUV, que ameaçam a vantagem tecnológica das fabricantes de memória fora da China. O resultado foi uma rodada de vendas em cadeia que começou na Ásia e terminou em Wall Street.

Para quem só usa um smartphone ou assina um serviço de IA no dia a dia, esse tipo de oscilação pode parecer distante. Mas ela é um termômetro de algo mais concreto: o mercado está testando se o boom de investimento em inteligência artificial dos últimos anos tem lastro real ou se parte dele é aposta especulativa que pode murchar rápido. Se esse ceticismo se firmar, o efeito prático aparece no preço de chips e em quanto as empresas de tecnologia decidem gastar com pesquisa daqui pra frente. Por enquanto, ninguém sabe se foi um susto pontual ou o início de um ajuste maior. Só que, por um dia, a empresa mais valiosa do planeta deixou de ser a que fabrica os chips e voltou a ser a que fabrica iPhones.

Fonte: CNBC

Perguntas frequentes

O que é esse "financiamento circular" que assustou o mercado?

É quando uma empresa como a Nvidia investe bilhões numa parceira como a OpenAI, que usa boa parte desse dinheiro para comprar GPUs da própria Nvidia. Investidores temem que isso infle os números de receita das duas sem gerar valor novo de verdade.

A Nvidia deixou de ser a empresa mais valiosa do mundo de vez?

Não necessariamente. O título já trocou de mãos outras vezes nos últimos anos, dependendo do humor do mercado com ações de tecnologia. O que aconteceu em 28 de julho foi uma queda pontual forte o bastante para a Apple assumir a liderança naquele momento.

Publicado em 29 de julho de 2026
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Rafael Tanaka
Editor de Hardware & Labs · Engenheiro · 8 anos em análise de hardware

Testa GPUs, smartphones e gadgets no ZUTI Labs. Ex-engenheiro, gosta de benchmarks reais e de desmontar o marketing das fabricantes.

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