Nvidia vai crescer 70% no próximo ano, quase o dobro do que Wall Street esperava, diz Jensen Huang
O CEO da Nvidia projetou faturamento de US$ 680 bilhões no próximo ano fiscal e disse que a demanda real por chips de IA é ainda maior do que a empresa consegue entregar.
Jensen Huang, CEO da Nvidia, deu um número que pegou até quem acompanha a empresa de perto de surpresa. Em uma conferência para investidores organizada pelo banco Goldman Sachs nesta quinta-feira, ele disse que a Nvidia deve crescer cerca de 70% no próximo ano fiscal, o que levaria o faturamento anual a algo perto de US$ 680 bilhões. Para comparação, a base atual gira em torno de US$ 400 bilhões. Segundo o TechCrunch, o próprio Huang foi além da projeção oficial e disparou, no palco, que a demanda real por seus produtos é maior do que esse número sugere.
A frase não é força de expressão. A Nvidia fabrica as GPUs, os chips especializados que treinam e rodam a maior parte dos modelos de inteligência artificial usados hoje, de assistentes como o ChatGPT a sistemas internos de bancos e hospitais. Praticamente todo laboratório de IA relevante depende de hardware da empresa para funcionar, o que deu a Huang munição para afirmar, segundo a mesma reportagem, que “a Nvidia roda todo modelo” e que “qualquer laboratório pode nos usar”. É um jeito de dizer que a companhia não depende de um único cliente gigante: se um freia a demanda, outro sustenta o ritmo.
O tamanho do salto ajuda a entender por que a fala repercutiu. Analistas de Wall Street vinham projetando um crescimento bem mais modesto para a Nvidia no próximo ciclo, algo na casa dos 44%, segundo dados citados pelo portal financeiro Motley Fool. Uma guidance de 70% é quase o dobro disso, e vem embalada por resultados que já surpreenderam antes: no trimestre mais recente encerrado antes desse anúncio, a receita da empresa cresceu 106% na comparação com o mesmo período do ano passado, batendo US$ 96 bilhões em três meses.
Para quem não acompanha o noticiário de tecnologia de perto, vale explicar por que essa não é só uma notícia de bolsa. A Nvidia se tornou, nos últimos anos, uma espécie de fornecedora universal da corrida por inteligência artificial: quando ela projeta um crescimento tão acima do esperado, está dizendo, na prática, que a demanda por IA generativa ainda está longe de esfriar, mesmo depois de meses de especulação sobre uma possível bolha no setor. Se a previsão se confirmar, o impacto passa pelo preço das ações da empresa, pelo apetite de investidores por qualquer coisa ligada a inteligência artificial e, indiretamente, pelo custo dos serviços de IA que chegam ao usuário final, já que a escassez de chips costuma pressionar preços para cima.
Vale a ressalva de sempre: projeção de CEO em evento para investidores é isso mesmo, uma projeção. A Nvidia já foi criticada no passado por otimismo em previsões que depois precisaram de ajuste, e o próprio mercado de IA passa por ciclos de euforia e correção. Ainda assim, o número chama atenção pelo tamanho e pelo contraste com o que analistas independentes esperavam. Nas próximas divulgações trimestrais da empresa, será possível ver se a distância entre a fala de Huang e a realidade dos balanços se mantém tão grande.
Fonte: TechCrunch
Perguntas frequentes
Por que a Nvidia consegue crescer tanto?
A empresa fabrica as GPUs usadas para treinar e rodar a maioria dos modelos de inteligência artificial do mercado, de laboratórios como OpenAI, Anthropic e Google a data centers de nuvem.
O crescimento de 70% é uma promessa ou uma estimativa?
É uma projeção dada por Jensen Huang em uma conferência para investidores, não uma garantia. Resultados futuros da empresa ainda podem variar.
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