IA do Google prevê furacões com um dia a mais de antecedência, e já acertou o categoria 5 que arrasou a Jamaica
O WeatherNext, do Google DeepMind, simula até mil cenários por minuto e ajudou a prever a força do furacão Melissa antes de ele atingir a Jamaica.
O Google DeepMind abriu o código do WeatherNext, um modelo de inteligência artificial que prevê a trajetória e a força de furacões com cerca de um dia a mais de antecedência do que os sistemas meteorológicos tradicionais mais usados hoje, segundo a Ars Technica. Na prática, uma previsão de três dias feita pelo WeatherNext tem a mesma precisão que os modelos anteriores só entregavam com dois dias de antecedência. É um ganho que pode significar mais tempo para evacuar uma cidade costeira antes de uma tempestade chegar.
O funcionamento por trás disso lembra menos um mapa único e mais um leque de possibilidades. O modelo roda simulações repetidas de uma mesma tempestade, hoje até mil versões diferentes, todas em menos de um minuto, usando os chips TPU do próprio Google. Rodar tantos cenários ao mesmo tempo ajuda a capturar situações raras que um modelo único poderia deixar passar, como uma tempestade que ganha força de repente, bem mais rápido do que o esperado, do tipo que historicamente pega meteorologistas de surpresa.
Foi justamente isso que aconteceu com o furacão Melissa, que atingiu a Jamaica em outubro de 2025. O WeatherNext previu, com cinco dias de antecedência e 80% de confiança, que a tempestade chegaria como categoria 5, o nível mais alto da escala; a confiança do modelo subiu para perto de 100% já três dias antes do furacão tocar terra. Foi a primeira vez que o Centro Nacional de Furacões dos Estados Unidos anunciou publicamente uma previsão de categoria 5 partindo de uma tempestade que ainda estava em categoria 1, decisão em que o modelo do Google teve papel direto. Melissa acabou batendo em terra com ventos de 185 milhas por hora, um dos furacões mais fortes já registrados no Atlântico.
Prever com mais antecedência não é só uma questão técnica bonita de se ver. Cada dia a mais de aviso dá tempo para autoridades locais organizarem evacuação, reforçarem abrigos e prepararem hospitais, decisões caras de errar tanto por excesso quanto por falta de alarme. Segundo especialistas consultados pela reportagem, ganhos de precisão desse tamanho normalmente levariam cerca de uma década para aparecer com as técnicas tradicionais de meteorologia, o que dá uma ideia do salto que a IA representa nessa área específica.
O Google decidiu abrir o código do WeatherNext para pesquisadores e outras instituições de meteorologia usarem e testarem por conta própria, movimento que segue uma tendência recente de empresas de tecnologia liberando ferramentas de previsão climática construídas com IA. Furacões, ciclones e tufões atingem regiões costeiras em praticamente todos os continentes, então qualquer ganho real de antecedência tende a interessar direto a quem vive perto do mar, não só a quem estuda o clima de longe.
Fonte: Ars Technica
Perguntas frequentes
O que é o WeatherNext?
É um modelo de inteligência artificial do Google DeepMind treinado para prever o comportamento de furacões e outros fenômenos climáticos, disponibilizado como código aberto para pesquisadores e agências de meteorologia usarem.
Isso substitui os meteorologistas?
Não. O modelo é mais uma ferramenta para quem trabalha em centros de meteorologia, como o Centro Nacional de Furacões dos Estados Unidos, e ajuda a antecipar decisões, mas as previsões oficiais continuam saindo dessas agências.
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