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Google ensina robôs humanoides a andar, agachar e organizar a casa sozinhos, sem precisar de internet

O Google DeepMind lançou o Gemini Robotics 2, um sistema de IA que dá a robôs humanoides controle total do corpo, com versão capaz de rodar direto no próprio robô.

Um braço robótico articulado em metal escuro segurando uma lâmpada, iluminado por luz azul elétrica, com a palavra GEMINI em letras brancas gravadas na base
Um braço robótico articulado em metal escuro segurando uma lâmpada, iluminado por luz azul elétrica, com a palavra GEMINI em letras brancas gravadas na base

O Google DeepMind, braço de pesquisa em inteligência artificial do Google, anunciou o Gemini Robotics 2, uma nova geração de modelos de IA feita para dar a robôs humanoides um controle muito mais completo do próprio corpo. Em vez de comandar só um braço ou uma garra, como boa parte dos robôs industriais faz hoje, o sistema coordena o corpo inteiro: andar, agachar, se inclinar, manter o equilíbrio e manipular um objeto, tudo ao mesmo tempo.

O anúncio foi feito diretamente pela empresa, em publicação no blog oficial do DeepMind. O sistema é dividido em três partes que trabalham juntas. Uma delas traduz o que o robô vê e ouve em movimento físico. Outra funciona como o “raciocínio” da operação: entende o pedido de uma pessoa, planeja os passos necessários para cumprir uma tarefa que pode levar vários minutos e ainda organiza a colaboração entre robôs diferentes num mesmo ambiente. A terceira, batizada de On-Device 2, foi pensada para rodar direto no hardware do robô, sem depender de conexão com a internet, e consegue se adaptar a um corpo robótico novo em questão de horas, usando menos de 200 exemplos de treinamento.

Nas demonstrações do Google, o sistema foi testado em plataformas de diferentes fabricantes, com destaque para o humanoide Apollo 2, da empresa Apptronik, equipado com mãos de 22 graus de liberdade capazes de replicar boa parte dos movimentos de uma mão humana. Numa das tarefas mostradas, o robô precisava desenroscar uma lâmpada, algo que exige força, precisão e ajuste fino de vários dedos ao mesmo tempo: o sistema acertou em até 92% das tentativas. Em tarefas mais complexas, a taxa de sucesso caiu para algo em torno de 32%, o que dá uma ideia de que ainda há um caminho longo entre o vídeo de demonstração e um robô confiável dentro de casa.

Para quem não acompanha robótica de perto, o ponto central é este: durante anos, o obstáculo dos robôs humanoides nunca foi só mecânico, era também de “cérebro”. Motores e sensores capazes de imitar um corpo humano já existem há um tempo; o que faltava era um sistema de IA capaz de decidir, em tempo real, como usar cada junta e cada dedo para cumprir uma tarefa do mundo real, cheia de imprevistos. É essa parte que o Gemini Robotics 2 tenta resolver, aproximando a promessa de robôs domésticos, capazes de limpar, organizar e ajudar em tarefas manuais, de virar produto de verdade em vez de vídeo de laboratório.

Por enquanto, o acesso ainda é limitado. A versão de raciocínio já está disponível no Google AI Studio e em prévia privada para empresas, mas os modelos que efetivamente controlam o corpo do robô continuam restritos a parceiros selecionados pelo Google. Rivais como Tesla, com seu robô Optimus, e outras empresas do setor correm atrás do mesmo objetivo: fazer um humanoide confiável o bastante para sair do controle remoto e da demonstração cuidadosamente roteirizada, e entrar de fato numa casa ou num galpão sem supervisão constante.

Fonte: Google DeepMind

Perguntas frequentes

O Gemini Robotics 2 controla qualquer robô humanoide?

O Google DeepMind testou o sistema em diferentes plataformas, incluindo o humanoide Apollo 2, da Apptronik, e braços robóticos de outros fabricantes. A versão que roda localmente no dispositivo consegue se adaptar a um corpo novo com poucas horas de treinamento.

Esses robôs precisam de internet para funcionar?

Não necessariamente. Uma das versões do sistema, chamada On-Device 2, foi otimizada para rodar diretamente no hardware do robô, sem depender de conexão com a internet.

Publicado em 31 de julho de 2026
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Rafael Tanaka
Editor de Hardware & Labs · Engenheiro · 8 anos em análise de hardware

Testa GPUs, smartphones e gadgets no ZUTI Labs. Ex-engenheiro, gosta de benchmarks reais e de desmontar o marketing das fabricantes.

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