Uma sanção dos EUA apagou os links do Telegram no mundo todo por quase um dia
Domínio t.me, usado nos convites de grupos, foi suspenso após sanções do Tesouro americano contra uma VPN ligada a criminosos.
Se você tentou entrar em algum grupo do Telegram nesta semana e o link simplesmente não abriu, não foi o seu celular. O t.me — o endereço curto que o aplicativo usa para convites de grupos e canais públicos — ficou quase um dia inteiro fora do ar no mundo todo. Já voltou a funcionar, mas a causa da pane merece a história completa, contada pelo TechCrunch.
O ponto de partida não tem nada a ver com o Telegram. O Tesouro dos Estados Unidos aplicou sanções contra a First VPN, um serviço apontado como ferramenta de criminosos em ataques de ransomware — o golpe em que hackers sequestram os dados de uma empresa e cobram resgate para devolvê-los.
O efeito dominó começou num detalhe burocrático. A lista oficial de sanções incluía, entre os endereços ligados ao grupo criminoso, um grupo do Telegram hospedado no domínio t.me. A DomainME, empresa responsável pelo registro desse domínio, precisava cumprir a determinação. E, diante da dúvida entre bloquear um link específico ou o domínio inteiro, tudo indica que escolheu o caminho mais cauteloso para ela — e mais devastador para todo mundo: derrubou o t.me por completo.
Resultado: milhões de links de convite, espalhados por sites, biografias de redes sociais e conversas antigas, pararam de funcionar de uma vez. Não por falha técnica, não por ataque hacker, não por decisão do Telegram. Por uma interpretação ampla de uma ordem administrativa, tomada por uma empresa de registro que a maioria dos usuários nem sabia que existia.
Esse é o ponto que fica depois que o serviço volta. A internet parece sólida no dia a dia, mas descansa sobre camadas de infraestrutura invisível — registradoras, domínios, listas de sanções — onde uma única decisão pode apagar um pedaço da rede usado por milhões. E o afetado não precisa ter feito nada de errado: basta dividir um domínio com o alvo errado.
Para quem administra comunidades, grupos de trabalho ou negócios no Telegram, a lição prática é desconfortável e útil: links de convite podem sumir de uma hora para outra, por motivos totalmente alheios ao aplicativo. Ter um canal alternativo de contato com sua comunidade deixou de ser paranoia.
Nos próximos dias, vale acompanhar se a DomainME ou o Tesouro americano explicam o critério do bloqueio, e se o Telegram passa a reduzir sua dependência de um único domínio para os convites. Episódios de sanção com efeito colateral sobre infraestrutura de internet vêm se repetindo — e, pelo andar da carruagem, esse não será o último.
Fonte: TechCrunch
Perguntas frequentes
Por que o t.me saiu do ar?
O Tesouro dos EUA sancionou a First VPN, usada por criminosos de ransomware, e a lista de sanções incluía um grupo do Telegram com endereço t.me. A registradora responsável, DomainME, provavelmente bloqueou o domínio inteiro para cumprir a regra, em vez de restringir apenas o link específico.
O Telegram foi punido pelos EUA?
Não. A sanção mirava uma VPN usada por criminosos; o Telegram foi atingido de tabela, porque um link t.me constava na lista e o bloqueio acabou aplicado ao domínio todo.
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