SK Hynix vende praticamente toda a memória até 2029, e a falta de chips deve durar anos
Uma das maiores fabricantes de memória do mundo diz que a produção está comprometida até 2029, o que pressiona preço e oferta de computadores e celulares.
Se você tentou comprar um notebook ou um celular nos últimos meses e achou os preços mais altos do que esperava, existe uma explicação que começa em uma fábrica sul-coreana. Segundo o 9to5Google, a SK Hynix, uma das maiores fabricantes de memória do mundo, informou que a produção dela está praticamente toda vendida até 2029.
Para quem não acompanha o setor, a memória é o chip que guarda os dados que o aparelho está usando naquele momento. Há dois tipos que importam aqui. A DRAM fica em computadores e celulares. A HBM é mais sofisticada e vai para os servidores que rodam inteligência artificial. Em teleconferência com analistas no fim de outubro, a empresa disse que os dois tipos estão comprometidos por um longo período. Segundo a própria companhia, a oferta não consegue acompanhar a demanda.
Por que isso acontece? Fabricar memória mais avançada é um processo complexo, e construir uma fábrica nova leva anos. Não dá para abrir uma torneira e produzir mais chips de um dia para o outro. Enquanto isso, data centers de empresas de IA compram quantidades enormes, e costumam fechar contratos longos. Quando esses clientes garantem a produção com antecedência, sobra menos memória para o mercado de consumo.
Quem sente isso, na ponta, é quem compra aparelho. Um fabricante de notebook ou de celular que não consegue comprar chips no preço e na quantidade que queria tende a repassar parte da conta ao consumidor, ou a reduzir a oferta de modelos. O efeito não aparece de uma vez. Ele chega aos poucos, nas prateleiras e nas promoções que deixam de existir.
Vale observar que a previsão da SK Hynix é a mais longa do mercado. A empresa afirma que a demanda deve continuar acima da oferta até 2030. Outros analistas, porém, esperam um cenário mais apertado até 2028, e a fabricante Micron se mostra mais cautelosa. Ou seja, a escassez é consenso, mas o prazo para ela passar ainda está em disputa, e quem tem interesse em vender a própria produção tem motivos para ser otimista.
Do lado da oferta, o grupo SK anunciou a intenção de dobrar a capacidade de produção de chips de memória em até cinco anos, segundo o presidente da empresa, que falou sobre o assunto no Computex 2026. A promessa é grande, mas quem espera mudança imediata vai se frustrar. Fábrica nova demora, e a capacidade adicional só começa a aparecer no mercado depois de uma longa obra.
Para o leitor, o recado é de paciência e de cálculo. Se você pretende comprar um computador ou um celular nos próximos meses, é razoável esperar que o preço não caia rápido, e que a escolha de modelos continue limitada em algumas faixas. Quem não tem pressa pode comparar com calma. Quem precisa trocar o aparelho agora deve comparar a quantidade de memória de cada modelo antes de decidir, porque é nela que a diferença de preço costuma aparecer.
No fim das contas, a história da SK Hynix mostra como a inteligência artificial mexe com coisas que parecem distantes do dia a dia. A briga por chips entre data centers e fabricantes de aparelhos é invisível para quem usa o celular para mandar mensagem, mas ela influencia o preço de quase tudo que tem uma placa eletrônica dentro. Vale acompanhar os próximos balanços, que mostram se a previsão de escassez se confirma ou se o mercado começa a respirar.
Fonte: 9to5Google
Perguntas frequentes
O que é memória DRAM?
É o chip que guarda os dados que o aparelho está usando naquele momento. Ele fica em computadores e celulares, e a falta dele encarece esses produtos.
Por que a memória ficou escassa?
Segundo a SK Hynix, a oferta não acompanha o crescimento da demanda, e as fábricas mais avançadas são complexas e levam anos para serem construídas.
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