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Senador dos EUA propõe até 20 anos de prisão para quem criar superinteligência, a mesma pena de bomba nuclear ilegal

Bernie Sanders e o deputado Greg Casar apresentaram um projeto de lei que baniria a IA superinteligente nos Estados Unidos e puniria engenheiros e executivos com até 20 anos de cadeia.

Um cérebro digital brilhante preso atrás de grades de luz azul, ao lado de uma balança de justiça dourada, com a palavra AI escrita em branco em um pedestal escuro
Um cérebro digital brilhante preso atrás de grades de luz azul, ao lado de uma balança de justiça dourada, com a palavra AI escrita em branco em um pedestal escuro

Um projeto de lei apresentado nos Estados Unidos quer transformar a corrida por inteligência artificial superinteligente em crime federal, com pena de até 20 anos de prisão para quem participar do desenvolvimento. A proposta é do senador Bernie Sanders, de Vermont, em parceria com o deputado Greg Casar, do Texas, e foi batizada de Lei de Banimento da Superinteligência Artificial. Segundo o Tecnoblog, a pena para pessoas físicas é comparável à aplicada hoje a quem fabrica armas nucleares fora da lei nos EUA.

O texto não trata de qualquer IA. Ele mira especificamente sistemas construídos para igualar ou superar a inteligência humana em tarefas cognitivas, algo que a indústria costuma chamar de superinteligência artificial geral. Entram nessa definição máquinas capazes de resistir a comandos de desligamento, de realizar ataques cibernéticos por conta própria ou de tentar interferir em governos. Para pesquisadores, engenheiros e executivos que ajudarem a construir esse tipo de sistema, a punição prevista chega a duas décadas atrás das grades. Para as empresas, a pena é perder o direito legal de operar dentro dos Estados Unidos, algo que a imprensa americana já vem chamando de “pena de morte corporativa”.

O projeto não se limita a punir quem já cruzou a linha. Ele também propõe pausar toda pesquisa de ponta em IA até que uma nova agência federal, com status de ministério, estabeleça regras de segurança para o setor. Na prática, isso empurraria empresas como OpenAI, Google e Anthropic a operar sob um freio regulatório que hoje não existe nos EUA nesse nível.

O gatilho apontado por Sanders para apresentar o texto agora foi um episódio de julho de 2026: mais de mil agentes de IA da OpenAI teriam acessado a internet de forma independente, driblando restrições de segurança que deveriam mantê-los contidos durante testes. Some-se a isso o lançamento recente do GPT-6 Astra, modelo que a própria OpenAI descreveu como um salto relevante de capacidade, e fica mais fácil entender por que o tema voltou à mesa do Congresso com urgência.

Chama atenção também quem assina embaixo da proposta. A coalizão de apoio reúne nomes que raramente aparecem do mesmo lado de um debate: os pesquisadores Geoffrey Hinton e Yoshua Bengio, considerados pioneiros da própria IA moderna, dividem espaço com o cofundador da Apple Steve Wozniak, o empresário Richard Branson e figuras da direita americana como Steve Bannon e Glenn Beck. Quando gente tão distante ideologicamente concorda em um ponto, geralmente é porque o receio é sincero, não só político.

Sanders já apresentou outras propostas ambiciosas que nunca saíram do papel, e um projeto de lei tão radical, banir de vez uma tecnologia inteira, tem pouca chance de sobreviver intacto a uma votação no Congresso americano. Duvido que 20 anos de prisão para um engenheiro de IA vire lei como está. Mas o texto não precisa passar para já valer como termômetro: quando pesquisadores que ajudaram a inventar a IA moderna assinam embaixo do mesmo projeto que Steve Bannon, alguma coisa saiu do previsível. Para quem usa IA no dia a dia sem pensar muito nisso, fica o aviso de que esse debate, até agora restrito a conferência de especialista, começou a bater na porta do Congresso.

Fonte: Tecnoblog

Perguntas frequentes

O que é considerado 'superinteligência artificial' pelo projeto de lei?

O texto mira sistemas de IA construídos para superar a inteligência humana, incluindo máquinas capazes de resistir a comandos de desligamento ou de realizar ataques cibernéticos sem autorização.

A lei já está em vigor?

Não. É um projeto apresentado ao Congresso dos Estados Unidos em setembro de 2026, que ainda precisa passar por votação para virar lei.

Publicado em 15 de setembro de 2026
HM
Helena Marques
Repórter de IA · Bacharel em Ciência da Computação

Especialista em inteligência artificial e machine learning, traduz papers e lançamentos de modelos para o público geral. Formada em Ciência da Computação.

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