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ANPD suspende as lives do Discord no Brasil após morte de adolescente de 13 anos

A Autoridade Nacional de Proteção de Dados determinou que o Discord pare de transmitir lives no país em até três dias úteis, após uma adolescente morrer durante uma transmissão na plataforma.

Um ícone de balão de chat em vidro azul, rachado ao meio por uma barra vermelha de aviso, com uma lente de câmera apagada ao fundo, e a palavra DISCORD em letras brancas
Um ícone de balão de chat em vidro azul, rachado ao meio por uma barra vermelha de aviso, com uma lente de câmera apagada ao fundo, e a palavra DISCORD em letras brancas

A Autoridade Nacional de Proteção de Dados (ANPD) determinou nesta quarta-feira (12) que o Discord suspenda as transmissões ao vivo de usuários brasileiros. Segundo o Tecnoblog, a empresa tem três dias úteis, contados desde a notificação, para tirar o recurso do ar no país, sob risco de multa de até R$ 50 milhões por infração, prevista no ECA Digital.

A decisão nasceu de uma investigação sobre segurança de crianças e adolescentes na plataforma, depois que uma adolescente de 13 anos morreu durante uma transmissão feita pelo recurso de Go Live do Discord, ferramenta usada para compartilhar tela e vídeo dentro de servidores privados. Para a ANPD, o problema central é que o Discord não consegue ver o conteúdo de uma live enquanto ela acontece, o que impede a empresa de detectar em tempo real uma situação de risco e agir antes que algo grave já tenha ocorrido.

Vale reforçar o que não muda: o aplicativo inteiro não sai do ar. Mensagens de texto, chamadas de voz e a imensa maioria dos recursos do Discord continuam funcionando normalmente para os mais de 20 milhões de usuários brasileiros da plataforma. A suspensão atinge especificamente a transmissão de vídeo e o compartilhamento de tela, e qualquer recurso que a ANPD considere equivalente a isso.

O Discord classificou a decisão como prematura. Segundo a empresa, o processo só chegou às suas mãos na sexta-feira anterior ao anúncio, tempo curto demais para uma resposta completa. A empresa afirma ainda que uma investigação interna já havia identificado e desativado o servidor ligado ao caso da adolescente, e que a atividade criminosa por trás da tragédia teria começado em outra plataforma, supostamente numa transmissão do Instagram retransmitida dentro de um servidor do Discord. É a versão da empresa; a ANPD, por ora, não deu sinal de que vá recuar da suspensão com base nesse argumento.

O episódio reabre uma discussão que atravessa toda a indústria de tecnologia: como moderar em tempo real um recurso que, por natureza, é ao vivo. Uma live não passa por revisão antes de ir ao ar, e sistemas automáticos de detecção de risco, mesmo quando existem, dependem de sinais que só aparecem depois que o conteúdo já foi transmitido, às vezes minutos depois de o pior já ter acontecido. É a mesma tensão que motivou casos parecidos em outras plataformas de streaming e redes sociais nos últimos anos, agora batendo à porta do Discord no Brasil.

Para quem usa a plataforma para jogar, estudar em grupo ou simplesmente conversar com amigos, o efeito prático imediato é perder a possibilidade de abrir uma transmissão dentro de um servidor, sem qualquer outro impacto na experiência. Já para o Discord, o caso testa até onde vai a paciência do regulador brasileiro com empresas de tecnologia que operam recursos de alto risco sem conseguir monitorá-los em tempo real, num momento em que o país tem discutido com mais força a segurança de crianças e adolescentes online. A ANPD sinalizou que a suspensão só será revista quando a empresa comprovar, na prática, que tem como evitar que uma tragédia assim se repita.

Fonte: Tecnoblog

Perguntas frequentes

O Discord vai ficar fora do ar no Brasil?

Não. A suspensão vale só para o recurso de transmissão ao vivo (o botão de Go Live, usado para compartilhar tela e vídeo dentro de servidores). Mensagens de texto, chamadas de voz e o restante do aplicativo seguem funcionando normalmente.

Por quanto tempo as lives ficam suspensas?

A ANPD não deu um prazo final: a suspensão continua até o Discord comprovar que adotou mecanismos eficazes de proteção a crianças e adolescentes nas transmissões.

Publicado em 13 de agosto de 2026
GR
Gabriel Rojas
Editor-chefe · Jornalista (MTb) · 10+ anos cobrindo tecnologia

Jornalista de tecnologia há mais de 10 anos, cobriu de startups a grandes lançamentos do Vale do Silício. No ZUTI, lidera a cobertura de IA e espaço.

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