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Starship chega à órbita pela primeira vez, mesmo depois de perder um dos seis motores em pleno voo

A SpaceX pôs a maior nave já construída em órbita da Terra e soltou 26 satélites Starlink, apesar de uma falha em um dos motores Raptor.

Estágio superior da Starship em órbita soltando satélites sobre a curva da Terra, com a palavra STARSHIP em letras brilhantes
Estágio superior da Starship em órbita soltando satélites sobre a curva da Terra, com a palavra STARSHIP em letras brilhantes

A Starship, o foguete gigante da SpaceX, chegou à órbita da Terra pela primeira vez. Foi na manhã desta segunda-feira (28), com lançamento no sul do Texas, e o voo cumpriu os critérios de sucesso definidos pela empresa, segundo o TechCrunch. Não foi um voo limpo: a parte de cima do foguete, a nave propriamente dita, perdeu um dos seus seis motores Raptor no meio do caminho.

Vale explicar por que isso pesa tanto. Nos testes anteriores, a Starship era lançada numa trajetória que terminava em queda controlada, sem completar uma volta ao planeta. É como arremessar uma bola para o alto e vê-la cair: bonito, mas não serve para deixar nada lá em cima. Para ficar em órbita, a nave precisa ganhar velocidade suficiente para “errar” o chão continuamente, e foi isso que ela fez desta vez.

O episódio do motor deu tempero ao voo. Segundo a cobertura, a nave ainda consegue chegar à órbita com um motor a menos, mas a SpaceX chegou a suspender a tentativa e, poucos minutos depois, decidiu seguir em frente. A aposta funcionou. Quem acompanha foguetes sabe que perder um motor em pleno voo costuma terminar mal, então o resultado impressiona, ainda que dê para discutir o quanto de margem de segurança sobrou.

Já em órbita, a Starship soltou 26 satélites Starlink de terceira geração, a versão maior da internet por satélite da empresa. A SpaceX afirma que esses satélites devem começar a atender clientes em poucas semanas. E fez uma conta para mostrar o tamanho da diferença: um único lançamento da Starship com satélites dessa geração acrescenta à rede a mesma capacidade que 20 voos da versão anterior, a “mini” V2, lançada em foguetes menores. Traduzindo, a rede tende a ganhar velocidade e capacidade mais rápido, e mais barato para a empresa.

O plano original previa cerca de nove horas em órbita, mas a SpaceX decidiu tirar o estágio superior de órbita depois de aproximadamente uma hora e meia, para trazê-lo de forma segura até o oceano Pacífico. Com um motor a menos, a decisão de descer cedo e sobre o mar parece prudente.

Por que isso importa para quem não acompanha o assunto de perto? Porque a Starship é peça central de vários planos grandes. A Nasa conta com ela para as missões de retorno à Lua, e Elon Musk diz que quer voar com a nave milhares de vezes por ano. Para chegar lá, a SpaceX precisa provar que o foguete é totalmente reutilizável, isto é, que pode pousar, ser abastecido e voar de novo como um avião. Chegar à órbita é uma etapa obrigatória desse caminho, e agora ela foi cumprida.

Fica a pergunta que só os próximos voos respondem: o problema no motor foi um acaso ou um defeito que se repete? A SpaceX costuma corrigir falhas rápido, testando e ajustando a cada lançamento, mas ainda não detalhou o que aconteceu. Também falta ver se a recuperação da nave inteira, e não só do propulsor, vai funcionar. Por enquanto, o voo prova que a Starship consegue fazer o trabalho para o qual foi construída, com um susto no meio.

Fonte: TechCrunch

Perguntas frequentes

Por que chegar à órbita é tão importante para a Starship?

Até aqui, os testes lançavam a nave numa trajetória que a fazia cair de volta. Estando em órbita, ela consegue de fato deixar satélites e carga no espaço, o que abre caminho para missões comerciais.

O que aconteceu com o motor que falhou?

Segundo o TechCrunch, a nave perdeu um de seus seis motores Raptor durante o voo. A SpaceX seguiu com a missão mesmo assim.

Publicado em 28 de setembro de 2026
GR
Gabriel Rojas
Editor-chefe · Jornalista (MTb) · 10+ anos cobrindo tecnologia

Jornalista de tecnologia há mais de 10 anos, cobriu de startups a grandes lançamentos do Vale do Silício. No ZUTI, lidera a cobertura de IA e espaço.

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