WhatsApp dá aos pais o controle de quem pode colocar seu filho em grupos, mas não deixa ninguém ler as conversas
O WhatsApp lançou no Brasil controles parentais opcionais para contas de adolescentes de 13 a 17 anos, com limites para grupos, foto, Status e canais, sem acesso a mensagens ou chamadas.
Quem tem filho adolescente conhece a cena: o garoto ou a garota é adicionado a um grupo de desconhecidos às onze da noite e ninguém em casa sabe como aquilo aconteceu. O WhatsApp acaba de lançar no Brasil uma resposta para esse tipo de situação. Segundo o Tecnoblog, a plataforma passou a oferecer controles parentais para contas de adolescentes a partir de 13 anos, com ajustes que ficam nas mãos de pais e responsáveis.
Na prática, o adulto pode decidir quem enxerga a foto de perfil e os Status do jovem, quem tem permissão para incluí-lo em grupos e de que forma ele acessa os canais, aquele recurso parecido com um mural de transmissão, em que organizações e criadores publicam para muita gente. O sistema também pode avisar o responsável quando o adolescente entra ou sai de um grupo, ou quando um grupo do qual ele participa cresce de forma considerável de uma hora para outra. Esse segundo alerta é útil porque um grupo que dobra de tamanho do dia para a noite costuma ser sinal de que algo mudou ali dentro.
O ponto que mais chama atenção é o que o recurso não faz. Os controles não dão acesso às mensagens nem às chamadas do adolescente. O pai ou a mãe não vira leitor das conversas, e isso não é detalhe: o WhatsApp protege as mensagens com criptografia, e abrir uma exceção para ler o que o filho escreve mudaria a natureza do aplicativo. A Meta, dona do WhatsApp, parece ter escolhido um meio-termo, dando poder sobre o entorno (quem fala com o jovem, onde ele pode ser colocado) em vez do conteúdo.
Para quem se interessa por privacidade, esse desenho tem prós e contras. De um lado, o adolescente mantém um espaço próprio de conversa, o que muitos especialistas em desenvolvimento juvenil consideram saudável. De outro, quem esperava um painel de vigilância completo vai se decepcionar. Controlar quem pode adicionar o jovem a grupos resolve parte do problema de contato com estranhos, mas não impede que alguém já conhecido diga coisas ruins numa conversa individual.
Quem é afetado, no fim das contas, são famílias com filhos entre 13 e 17 anos que usam o aplicativo, o que no Brasil é quase todo mundo. Como o recurso é opcional, ele só funciona se os pais tomarem a iniciativa de configurar, vinculando o celular do adolescente ao deles. Ou seja, a ferramenta existe, mas a conversa em casa continua sendo o ponto de partida. Um controle que ninguém liga protege pouco.
O que vale acompanhar agora é a adesão e o quanto os adolescentes vão tolerar a novidade. Se o jovem se sentir vigiado demais, a tendência é migrar para outro aplicativo, e aí a ferramenta perde o sentido. O WhatsApp também está sob pressão de governos e de grupos de defesa da infância para mostrar que cuida de quem é menor de idade. Esse lançamento é um passo nessa direção, e dá para esperar que outros recursos venham na sequência.
Fonte: Tecnoblog
Perguntas frequentes
Os pais conseguem ler as mensagens do filho?
Não. Segundo a Tecnoblog, os controles não dão acesso às mensagens nem às chamadas, apenas definem configurações de privacidade e de uso do aplicativo.
O recurso é obrigatório?
Não. As configurações são opcionais e dependem de os responsáveis vincularem o celular do adolescente ao deles.
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